"Quando então se pensa em poemas, tomam-se tais caminhos com poemas? Serão esses caminhos somente des-caminhos, des-caminhos de ti a ti? Mas ao mesmo tempo são também, em tantos outros caminhos, caminhos nos quais a língua se torna sonora, são encontros, encontros de uma voz com um Tu perceptível, caminhos de criaturas, esboços de existência talvez, um antecipar-se para si mesmo, à procura de si mesmo.... Uma espécie de volta a casa." (Paul Celan)
Solitude
Fogo Violeta
Grande labareda alquímica
Cada qual urge por transmutar
Elementos há muito aprendidos
Há pouco recolhidos como se não pudesse partir
Apegos deixam-se ir
Observadora, permaneço em amor
Asas se abrem. Voas, assim como eu.
Liberto-me
Tempo de coração ferido
Ficou na pedra boji que se partiu
Zingra ao vento do instante
A terra interior
Brotos vindouros, sementes venusianas
Flores se abrem ao sol
Renovação de todas as manhãs
Morro ao dormir
Renasço ao despertar
Pequena Fênix
Doadora, em confiança na vida
Histórias acre-doces trazem sorrisos
Em silêncio, mesmo em silêncio
No astral dos mundos o encontro é real
Palavras são inúteis ali
Há notas de puro contentamento
Lágrimas acolhidas como chuva fértil
Gratidão
Prece pura no chão dos 4 elementos
Cura da Criança Ferida
Crescimento e Brincadeira
Cavalgando o coiote que reside no sul
Destemida, poesia em espiral, amante
Em corpo e alma
Só
Poesias - Livro dos Versos (1988-1998) Poesias antigas e novas- Colagens e outras viagens imagéticas e poéticas
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
A árvore
A folha
vento levou
Encontro com pássaro-tempo
No ritmo de águas revoltas
O pássaro se foi
Encontrou a água de rio mais sereno
Água rolou quente-fria-quente-fria
Seguiu caminho rumo ao mar
Sobrevoa o oceano e seu mistério
O vento sopra sua voz
Encontro de águas salgada-doce
Clamando o pássaro de volta à folha
Floresta-coração, coração da floresta
Lá ele torna
É dragão, é libélula
E torna pássaro
É mulher, é homem, é bicho, é som
Canção de noite escura
Ritmo toca a semente
Germina
Árvore plantada que tudo vê
Árvore que anda e tudo ouve
Árvore-ser
Galhos altos
Raízes profundas
Continua seu crescer
A cada cantar
vento levou
Encontro com pássaro-tempo
No ritmo de águas revoltas
O pássaro se foi
Encontrou a água de rio mais sereno
Água rolou quente-fria-quente-fria
Seguiu caminho rumo ao mar
Sobrevoa o oceano e seu mistério
O vento sopra sua voz
Encontro de águas salgada-doce
Clamando o pássaro de volta à folha
Floresta-coração, coração da floresta
Lá ele torna
É dragão, é libélula
E torna pássaro
É mulher, é homem, é bicho, é som
Canção de noite escura
Ritmo toca a semente
Germina
Árvore plantada que tudo vê
Árvore que anda e tudo ouve
Árvore-ser
Galhos altos
Raízes profundas
Continua seu crescer
A cada cantar
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Mar
Não desisto, resisto ou insisto
Somos paradoxo, conflito
Possível é vislumbrar o equilíbrio
Amar você é sol e lua
Céu Estrelado
Noite Escura
Cheiro de pele, acre-doce
Espelho meu
Mestre e Discípulo
Deixo-te ir
Escolho o frescor da carícia
Devir do não-saber
Mudanças são vida
Dores vêm e vão
Livro-me de culpa
apego
ressentimento
Livro-me de possuir
ansiar
culpar
Não desisto, nem resisto
Insisto em amar
Juntos por fios invisíveis
Bailo em você, danças em mim
Nem saudade há entre nós
Porque somos laço
Somos um, ainda que inteiros
Companheiros no invisível
Não desisto, nem resisto
Sigo amando
Resiliência em mim
Não para ou pelo outro
Deixei de perpetuar latência
Acabei com falso fim
E começos precipitados
Estou com você
Na alquimia possível
De nossos abismos
Na saúde e na doença
Na alegria e na tristeza
Esse estado me constitui
Não há razão limitante
Há olhos abertos e discernimento
Lamentos abandonados
Medos enterrados
Ilusões transformadas
Deixei tudo no oceano
Com Iemanjá
Somos paradoxo, conflito
Possível é vislumbrar o equilíbrio
Amar você é sol e lua
Céu Estrelado
Noite Escura
Cheiro de pele, acre-doce
Espelho meu
Mestre e Discípulo
Deixo-te ir
Escolho o frescor da carícia
Devir do não-saber
Mudanças são vida
Dores vêm e vão
Livro-me de culpa
apego
ressentimento
Livro-me de possuir
ansiar
culpar
Não desisto, nem resisto
Insisto em amar
Juntos por fios invisíveis
Bailo em você, danças em mim
Nem saudade há entre nós
Porque somos laço
Somos um, ainda que inteiros
Companheiros no invisível
Não desisto, nem resisto
Sigo amando
Resiliência em mim
Não para ou pelo outro
Deixei de perpetuar latência
Acabei com falso fim
E começos precipitados
Estou com você
Na alquimia possível
De nossos abismos
Na saúde e na doença
Na alegria e na tristeza
Esse estado me constitui
Não há razão limitante
Há olhos abertos e discernimento
Lamentos abandonados
Medos enterrados
Ilusões transformadas
Deixei tudo no oceano
Com Iemanjá
domingo, 16 de janeiro de 2011
Manhã do dia 16 de Janeiro, 2011
Um poema da manhã
Pensar o impensável também é pensar
Pensar por pensar é sofrimento
Pensar que o pensar controla algo é ilusão
Pensar para alçar vôo
Abrir as asas de si para o invisível
Deixar-se abrir
Nas várias cicatrizes que se espalham pelo ser
Não só no corpo, visíveis
Mas não alma, impalpáveis
A Luz do dia te pede embate
A Sombra da noite te pede coragem
Destemor necessário para o mergulho
Olhar-se e ver-se
Grande desafio
Deserto e Oceano
Pedra jogada no rio
Que reverbera até não mais ver
Viver é lamber a pele, sentir seu sal
É cheirar o cheiro dos corpos todos
Ouvir a voz das entranhas
Calar
É deixar sua água fecundar a terra
E teu fogo iluminar e incendiar
Viver É
Lágrima e Som
Silêncio e Risada
Que Cósmico e penetrante
É viver o não saber
O Presente Perfeito composto
de nossas fragmentariedades
de nossos pequenos pedaços
memórias
histórias
visões
pensamentos luz de tempos
incertos
Viver
é estar entre dois precipícios
No cerne
O Caminho
Pensar o impensável também é pensar
Pensar por pensar é sofrimento
Pensar que o pensar controla algo é ilusão
Pensar para alçar vôo
Abrir as asas de si para o invisível
Deixar-se abrir
Nas várias cicatrizes que se espalham pelo ser
Não só no corpo, visíveis
Mas não alma, impalpáveis
A Luz do dia te pede embate
A Sombra da noite te pede coragem
Destemor necessário para o mergulho
Olhar-se e ver-se
Grande desafio
Deserto e Oceano
Pedra jogada no rio
Que reverbera até não mais ver
Viver é lamber a pele, sentir seu sal
É cheirar o cheiro dos corpos todos
Ouvir a voz das entranhas
Calar
É deixar sua água fecundar a terra
E teu fogo iluminar e incendiar
Viver É
Lágrima e Som
Silêncio e Risada
Que Cósmico e penetrante
É viver o não saber
O Presente Perfeito composto
de nossas fragmentariedades
de nossos pequenos pedaços
memórias
histórias
visões
pensamentos luz de tempos
incertos
Viver
é estar entre dois precipícios
No cerne
O Caminho
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Partida
Silêncio
na alma
Pausa
Se insiste tanto
em partir-me
eu parto de ti
todo dia um pouco
Sem que percebas
É assim que sou
Escorrego amiúde
E... quando deres conta
nem perfume
terei deixado
E um nada de mim
encontrará
Em coração inteiro
Cabe encantados
Encantar-se-á então
meu grande amor
E nadarei para longe
Sem olhar para trás
Re-conquiste-me
Lute por mim
Sou bela, mesmo distante
Úmida, mesmo deserto
Segredo
Mesmo revelando-me
no possível das horas
Tempestade
Serenidade
O Talvez
Meu amor não tem dúvida
Meu amor por tudo é resoluto
Se não lutares
Como ficar?
Se fugires
Como não partir?
Nada resta
Além de cruzar o grande rio
E fluir
Desejando-te o melhor
na alma
Pausa
Se insiste tanto
em partir-me
eu parto de ti
todo dia um pouco
Sem que percebas
É assim que sou
Escorrego amiúde
E... quando deres conta
nem perfume
terei deixado
E um nada de mim
encontrará
Em coração inteiro
Cabe encantados
Encantar-se-á então
meu grande amor
E nadarei para longe
Sem olhar para trás
Re-conquiste-me
Lute por mim
Sou bela, mesmo distante
Úmida, mesmo deserto
Segredo
Mesmo revelando-me
no possível das horas
Tempestade
Serenidade
O Talvez
Meu amor não tem dúvida
Meu amor por tudo é resoluto
Se não lutares
Como ficar?
Se fugires
Como não partir?
Nada resta
Além de cruzar o grande rio
E fluir
Desejando-te o melhor
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Amor de Lua Nova
Este poema, feito dia 29 de Julho de 2010, dedico ao Amor.
De um tudo abandonaria por você
Não teria pátria
Tu serias minha língua materna
Meu solo, minha terra firme
Eu, possuidora de meus pés,
Sentiria sua força sobre eles
Gozo na minha-sua potência
Sentida no chão de minhas entranhas
Fazendo eco na minha voz
Som forte de meus pulmões
Fraternos que somos como anjos
Abandono tudo por mim
Porque te querer faz-me ser eu mesma
Amar-te já faz parte de mim
Constitui-me
Faz-me inteira e faceira
Faz-me reconhecer o há muito esquecido
Reencontro-me por ti
Através de um Ser que nem sabia
Que de sideral, se ri.
Verte lágrimas de violeiro
Presente na música da vida
Vejo tempo verter contigo
“Eternalizo-me” em ti
Vero. Vórtice. Matriz.
Amo em mim.
De nada anseio
Alma-corpo entrelaçados
Velejando em células
Atemporais
Pulsante órgão que brinca
Nada mais existe
Só o instante.
Confirmação de minha finitude.
Vulva-corpo repousada no momento
Suave vento
De um tudo abandonaria por você
Certezas, causas, lamentos
Apegos, sortilégios e sinais.
Tu serias meu ungüento
E não mais me abandonaria por ti
Porque tu és farol pleno
Possível
de liberdade
De um tudo abandonaria por você
Não teria pátria
Tu serias minha língua materna
Meu solo, minha terra firme
Eu, possuidora de meus pés,
Sentiria sua força sobre eles
Gozo na minha-sua potência
Sentida no chão de minhas entranhas
Fazendo eco na minha voz
Som forte de meus pulmões
Fraternos que somos como anjos
Abandono tudo por mim
Porque te querer faz-me ser eu mesma
Amar-te já faz parte de mim
Constitui-me
Faz-me inteira e faceira
Faz-me reconhecer o há muito esquecido
Reencontro-me por ti
Através de um Ser que nem sabia
Que de sideral, se ri.
Verte lágrimas de violeiro
Presente na música da vida
Vejo tempo verter contigo
“Eternalizo-me” em ti
Vero. Vórtice. Matriz.
Amo em mim.
De nada anseio
Alma-corpo entrelaçados
Velejando em células
Atemporais
Pulsante órgão que brinca
Nada mais existe
Só o instante.
Confirmação de minha finitude.
Vulva-corpo repousada no momento
Suave vento
De um tudo abandonaria por você
Certezas, causas, lamentos
Apegos, sortilégios e sinais.
Tu serias meu ungüento
E não mais me abandonaria por ti
Porque tu és farol pleno
Possível
de liberdade
domingo, 20 de junho de 2010
Das corridas e aprendizados

Não li o livro “Explicando Deus numa corrida de táxi” de Paul Arden, nem conheço o trabalho deste autor, mas gostei do título e certamente acho curiosa a escolha do lugar-diálogo: um táxi.
Não sei dirigir. Pelo menos não aprendi até agora... falta vontade, como se esse fosse um dos emblemas da minha ignorância urbana. Portanto, quando não estou a pé, ou no expiatório coletivo, estou num táxi, andando pela cidade.
E, realmente, há o que se aprender. Afinal, os seres humanos sempre estão numa situação ou outra: ensinando ou aprendendo.
Os motoristas são companheiros de conversa. Como boa carioca, eu gosto muito de papear. Salvo aqueles dias nos quais o veículo é usado como escritório, local para meditação ou lugar de pensar fugidiamente, chorar... Neste local, as palavras são proibidas.
Podemos encontrar o motorista filósofo, que gosta de dirigir, vive com pouco, mas realmente estuda e lê muito. Boníssima companhia de conversa fiada. Há o lamentador, que reclama da vida num tom de “fuinha”, sabe, aquela do desenho animado? Há o revoltado: com a política, com aquecimento global, com a falta de dinheiro, com os passageiros. A melhor tática nesta situação é colocar o rádio no ouvido. Há o silencioso de alma, aquele que não fala, mas te olha como se falasse. Há o falante compulsivo... Há ainda o mal humorado, cujo silêncio é uma forma de agressão. Há o bom de papo, cheio de ginga, que fala na medida, tem um sorriso nos lábios e muitas histórias para compartilhar. Há o paquerador e o psicólogo... O ser humano é maravilhoso na sua diversidade; mas a profissão de motorista pode fazer nascer um observador do cotidiano e, na medida da atenção, pode-se tornar-se sábio...
Particularmente, adoro os motoristas cantores. Esses são pitorescos... Uma vez cantei todo o livro de serestas de Conservatória com um senhor que fazia ponto no Largo do Machado, um carro velhíssimo, mas que viagem! Acho que já morreu. Encontrei um outro cantante ano passado, estava de cara amarrada quando entrei no carro, mas, depois de muitas tentativas, arranquei a sagrada informação: ele era músico! E entabulamos um dueto... “eu amanheço pensando em ti... eu anoiteço, pensando em ti... eu não te esqueço, é dia e noite, pensando em ti...”. Rimos juntos e ficamos contentes um com o outro.
Mas iniciei este texto com o Paul Arden e seu papo sobre Deus num táxi.
Quero falar é Dele mesmo, Dela mesma, Deus, Deusa. Opiniões pessoais são perigosas nesta seara, é melhor agarrar-se na crença institucional (numa Igreja ou numa religião) ou científica. A aventura de falar no Divino desta forma indireta nos livra dos tenebrosos e maravilhosos encontros involuntários com partículas divinas de Nós mesmos.
Deus/Deusa e religião não são comuns, não são complementares; são, antes, distantes. Deus, como li em algum lugar, é a experiência. Não afirmo aqui categoricamente coisa alguma. Você sabe Deus, você sente Deus, mas você não vê Deus. Porque ver, pelo menos entre as pessoas “normais”, leva a um julgamento na maioria das vezes. Talvez por isso, há uma meditação cabalística que te exorta a ver Deus e aceitar qualquer que seja a imagem que surja, pois todas são perfeitas.
Imagine... uma conversa como essa daria uma corrida infinita....na qual visitaríamos todas as nossas possibilidades. Veríamos amigos, amores, amantes, pai, mãe, filho, irmãos, todos tendo cruzado a barreira tempo-espaço. Uma corrida infinita na imensidão do Mistério.
Por enquanto, continuo na divertida arte de papear. Às vezes há muito que falar, às vezes há muito o que calar. Mas sempre há, em qualquer situação, muito que aprender.
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