terça-feira, 24 de setembro de 2013

Olho d´água

Se me perguntarem o que é o amor
Eu não saberia responder
Porque já pensei que amor fosse
Desejo
Já pensei que amor fosse
Vontade
Até imaginei que fosse sexo

Mas quando a alma se arrepiou inteira
E o olho d´água que vive em mim
Falou
Desejei, por ter mania de medo,
Fingir que não fosse Amor

Amor-Poesia-Canto
Que inspira versos
E que pode trazer prantos
E alegria
E sofreguidão
E desejo
Saudade

Força motriz deste mundo
E de todas as galáxias
Imaculada energia
Que tem movimento próprio
Incontrolável Amor
Não há nada que o maneje 

Se é Amor aprende-se Fluxo
E segue diante do sopro
Na dança dos ventos
E continua no manear do líquido
Na Lila dos rios
Nas ondas do mar
E crepita com fogo
Que arde sem queimar
Como disse o poeta
E é terra hospitaleira
Que faz semente brotar
Amor É
Ah, Ele-Ela É

Tudo que Há.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Fenda


Hiante
Intenso
Pólen que viaja
Invisível

Atua
Na alma
Perfume

Inaudível
Ainda
Assim
Voz

Ventura

Pranto
Calado
Procura
Insone

Vento
Vontade
Desejo
Insano

Te amo

sábado, 15 de setembro de 2012

Ceifador


Eu te amo
É meu o
Amor
Meu e não te dou
Torto
Travesso
Avesso de mim
Desassossego

Ame-se

Possibilidade
Única
De amar outro
E não tu mesmo
Sempre

Confiança
Ungida de Disfarce
Admiração
Não é amor
É miríade
Ilusão

Amar-te Verdade
Ou
Abandonar-te
Perder-te
Deixar-te ir
Morte Anunciada
Em segredos malditos

Eu te amo
É meu o
Amor
Meu e ofereço
Amo-me

Por medo da
Morte
Amarrar-me?
Recuar
E
Desviar-me de mim
Em falsos retornos?
Não mais
Morro então
Destemida

Sabes ousar?
Pular no precipício
Desconhecer-se
do Conhecido?
Revides das espirais
Do poço dos temores
Retorne ao país da sua
Alma
Conheças a escuridão
E seja luz onde
Fores
Sol-Lua
Fogo-água
Mansidão

Mar bravio
Intranquilo
Sofreguidão

Ilumino
Não necessito brilho
Cuido de mim
Vivo
Abro-me ao infinito
Alegria.
E fim.



sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Regresso


... Bandeiras azuis... apenas bandeiras
Tremulavam e bailavam frente ao vento quente do verão
Ainda bem que havia vento
Senão, apenas vapor
Impraticável respiraração...
Bandeirinhas que tremulavam naquele esquecido templo
Outono
Inverno
Primavera
Nas pequenas bandeiras imagens Búdicas.
Todos os encontros possíveis naquele ondear
Tudo vertia pregresso
Aquilo já não existia
Forma atemporal
Espiralando o balanço ao vento
Um esquecer que nunca fora possível antes
Um deixar-se crível
Visão da luz que se apresentara tênue
E, agora,
Nem tão sussurrante assim
Gritava as palavras mortas
Antes mesmo de proferidas
Bandeiras azuis e roxas
Mantras num sânscrito mal escrito
Incompreensíveis. Vento verde-azul da distância que se faz.

domingo, 1 de julho de 2012

Moinho


Meus sonhos: oráculos
Fazem planar
As inquietantes
Labaredas
Paciência
Parcimônia
Parcial
Partes de mim
Partem de mim
Mil borboletas
Cores: Improváveis
Amores: Impossíveis
Meu lugar
Ainda é solidão
Como se é fluxo
Assim?
Quando inquieta
Ouço o bater de um coração
Como se fossem dois
No lume das estrelas
Conto os dias
Desmancho-me
Botão em botão
Para amanhecer
Mais inteira

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Render-se

Bordar teias do viver
Como fios de sonhos e quimeras
Sem dualidades e julgamentos
Fluir e Voar
Pensar com as entranhas
Criativizar
Sorver com a razão
E sentir-se vazio
Pleno de Si
Planar no cerne do Sopro
Na força dos elementos
Render-se é não saber
E mesmo assim Confiar
Tecer espírito que cuida
Sem crivos da mente
A verdade como escudo
Render-se
Deixar-se ir
Mas o rumo é que se sabe
Roda que gira por si

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Solitude

De Malu Aguiar para Mônica Valéria Iaromila
"Quando então se pensa em poemas, tomam-se tais caminhos com poemas? Serão esses caminhos somente des-caminhos, des-caminhos de ti a ti? Mas ao mesmo tempo são também, em tantos outros caminhos, caminhos nos quais a língua se torna sonora, são encontros, encontros de uma voz com um Tu perceptível, caminhos de criaturas, esboços de existência talvez, um antecipar-se para si mesmo, à procura de si mesmo.... Uma espécie de volta a casa." (Paul Celan)

Solitude
Fogo Violeta
Grande labareda alquímica
Cada qual urge por transmutar
Elementos há muito aprendidos
Há pouco recolhidos como se não pudesse partir
Apegos deixam-se ir
Observadora, permaneço em amor
Asas se abrem. Voas, assim como eu.
Liberto-me
Tempo de coração ferido
Ficou na pedra boji que se partiu
Zingra ao vento do instante
A terra interior
Brotos vindouros, sementes venusianas
Flores se abrem ao sol
Renovação de todas as manhãs
Morro ao dormir
Renasço ao despertar
Pequena Fênix
Doadora, em confiança na vida
Histórias acre-doces trazem sorrisos
Em silêncio, mesmo em silêncio
No astral dos mundos o encontro é real
Palavras são inúteis ali
Há notas de puro contentamento
Lágrimas acolhidas como chuva fértil
Gratidão
Prece pura no chão dos 4 elementos
Cura da Criança Ferida
Crescimento e Brincadeira
Cavalgando o coiote que reside no sul
Destemida, poesia em espiral, amante
Em corpo e alma