sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Juliana Vieira, também do grupo de Dança-Ritual-Terapia

Entre os dias 20 e 23 de agosto, estivemos juntos dançando e "desamarrando"...
Hefestos, Ares (sim, mesmo recôndito, ele estava lá), Hera, Zeus, Dionisio e suas Bacantes...a Afrodite revelada. Nós testemunhas dos nós. Atuantes na mágica do desatar, des-cobrir, fiandeiras e fiandeiros de tecituras mais presentes.

Juliana Vieira, do meu pequeno grupo, me ofertou essas palavras... essas palavras possuem seu puro dançar.
Obrigada.

Nosso confronto é sempre de eternidade.
sabemos o quanto é perecivel,
mas insistimos em manter com memoria de hoje.
Até que a lembrança se torna escassa.
Mas o coração entende nosso desejo e eterniza o calor, as lagrimas, os sorrisos.
Com carinho, mantém junto, sem grades.
Sábio coração que não nos]pijv prende.
Livre, transpira e corre.
Um encontro sem destino.
Percorrendo novos horizontes com sabedoria e generosidade.

Que bom estar por perto.
Ju

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Comunicação entre Nós - Palavras do Coração

Malu Aguiar me deu uma instrução, parte de seu projeto Comunicação entre nós
A mim foi solicitado que fosse na Galeria Laura Marsiaj, em Ipanema, sentir a obra de Brígida Baltar, uma das 20 artistas da exposição Alcova.

A parede desnuda e a parede de tijolos... e as árvores a me chamarem na sala ao lado...as fotos de Helena Bach.
Vamos à Brígida Baltar:
Fiquei a pensar qual seria a obra, a parede desnuda ou o chão ornado, confesso minha ignorância. A padronagem feita do que parece pó de barro, tijolo ou serragem - bonita. Lembra as portas dos velhos casarios da Lapa e da Gamboa.
Dei uma lida rápida nas muitas palavras bem escritas pelo curador. Li, compreendi e parti com os olhos para as obras. Achei uma puta sacação do curador colocar a obra, não sei de quem é, uma projeção de vários relógios ao lado da parede nua.
A imagem do chão e a parede nua, a esquina, o canto - me remeteu a algumas imagens:
- os cantos infantis, que eu ornava com brinquedos, os limites transformando o canto em continente.
- as mandalas tibetanas que são feitas cuidadosamente durante dias, às vezes, meses, a areia colorida fazendo desenhos belos. Qdo terminadas, essas obras são simplesmente varridas, um ensinamento sobre a impermanência, conceito importante do Vrajnaiana. Esse pensamento me deu uma enorme, enorme vontade de soprar a obra e ver aquele pó de tijolo impresso na parede branca. E depois lavá-la, para vê-la novamente nua.
- visões infantis me invadiram... qdo eu era criança tinha a mania de acordar e ficar alguns minutos fitando a parede vazia, os devaneios aquosos me preenchiam os primeiros minutos da manhã.
A obra da parede de tijolos foi curiosa. Quando entrei na galeria fui chamada pelas árvores e depois por esta parede. Só depois vi o beija-flor, que também gostei muito. Enfim, quando vi esta pequena parede de tijolos, lembrei de um livro chamado Menino Nito, de Sonia Rosa. Este menino suprimiu suas emoções, seu choro e a imagem que a autora usou foi a construção de uma parede de tijolos. Como não é possível fazer isso por muito tempo, ele ficou doente. Quando ele conseguiu colocar para fora as emoções, a barragem foi se quebrando... aquela parede tinha muito choro por trás dela. Talvez a arte sempre evoque a minha criança e as emoções fluam como o choro curativo do menino.
Quanto terminou tudo, voltei às árvores.
Ainda estou embevecida com uma descoberta mágica que fiz outro dia. Depois desse tempo de doença-cura-saúde... e depois de várias outras coisinhas que me aconteceram, e coloco nossa comunicação (entre mim e Malu) nesse angu, o blues da piedade batia na cabeça:

Pra pessoas de alma bem pequena; Remoendo pequenos problemas. Querendo sempre aquilo que não têm... Pra quem vê a luz, mas não ilumina suas mini-certezas...

Viver na falta? nunca mais. Viverei na presença e no que há daqui para frente.